quinta-feira, 26 de março de 2020

NILÔMETRO, A INVENÇÃO EGÍPCIA USADA PARA PREVER ENCHENTES E DETERMINAR IMPOSTOS


Muito usada nos tempos faraônicos, a tecnologia media o nível da água que transbordava do Nilo e tinha um papel crucial na agricultura

PAMELA MALVA PUBLICADO EM 26/03/2020, ÀS 08H00

Imagem de Nilômetro real, com as sessões usadas para medir o nível da água - Wikimedia Com Monstserrat 

Ricos tanto em cultura, quanto em tradição, os povos do Egito Antigo conviviam com um constante contratempo da natureza. Todos os anos, de julho a outubro, as terras egípcias eram inundadas pelas chuvas de verão.

Com o grande volume de água, o Nilo transbordava durante todo o período das chuvas. E não pense que os egípcios ficavam frustrados com toda aquela água. Para eles, a inundação anual era o fenômeno mais importante do ano.

Era através da água trazida pelo Nilo que a fertilização das terras agrícolas aconteciam. Isso porque, durante as chuvas, toneladas de lodo — um dos fertilizantes usado na época — eram carregadas pela enchente.

Ainda mais, as inundações eram usadas para determinar festivais religiosos e, assim, regulavam o estilo de vida no Egito Antigo. Entretanto, existia um problema: era impossível identificar tudo que as águas indicavam apenas olhando para o horizonte.


A ideia do século
A fim de observar melhor o nível de água do Rio Nilo durante as estações de cheias, os egípcios inventaram os nilômetros. Feitos de pedra ou mármore, as gigantes colunas eram usadas para medir a altura que a inundação atingia.

Acima de um amplo sistema de canos, os egípcios construíam um poço profundo, com uma coluna no meio — os nilômetros. Como estavam em um nível muito abaixo do Nilo, os poços eram preenchidos com água durante as enchentes.

Com a estrutura pronta, a coluna octagonal era seccionada em 19 segmentos, de 50 centímetros cada. Assim, os nilômetros poderiam ser usados como régua e mediam enchentes de até 9,5 metros.

Uma vez determinado o tamanho da coluna de mármore, os egípcios observaram o que cada altura indicava. Quando a água da chuva atingia as 19 sessões, ficava claro que o Egito estava passando por fortes inundações.

Caso o nível chegasse a 12 segmentos, o volume de água não seria suficiente para a agricultura e, assim, o povo enfrentaria fome naquele ano. A colheita apenas seria abundante caso a altura da água atingisse a 16ª sessão.

Dessa forma, graças à ferramenta, os egípcios foram capazes de prever a sorte da colheita anual. A partir desses dados, então, eles determinavam os impostos e os preços dos alimentos a serem cobrados da população.

Herança cultural
Famosos nos tempos faraônicos, os nilômetros continuaram sendo utilizados mesmo depois que o Egito foi conquistado por estrangeiros. A tecnologia era eficaz e era a melhor forma de observar as enchentes que continuavam acontecendo.

Por séculos, as populações egípcias aproveitaram a eficácia dos nilômetros e construções semelhantes foram encontradas até mesmo em civilizações greco-romanas. Com o tempo, entretanto, grande parte das estruturas foi perdida.

Segundo artigo publicado na National Geographic, em 2016, existem “menos de duas dúzias dos dispositivos” no mundo todo. Esse é o caso do nilômetro de Helwan, localizado ao sul do Cairo, por exemplo.
Situado na margem do Nilo, as ruínas do nilômetro podem ser visitadas até hoje. Segundo registros arqueológicos, a construção foi erguida ou restaurada em 699 d.C. — cerca de meio século depois que os muçulmanos conquistaram o Egito.


Em 714 d.C., o califa omíada Al-Walid I observou o péssimo estado de conservação da estrutura e deu uma ordem. Ao governador do Egito na época, ele exigiu que o nilômetro fosse reconstituído.

Por anos a fio, independentemente da potência que dominasse o Egito, os nilômetros continuaram a forma mais eficaz de medir o nível das chuvas. Os impostos egípcios, inclusive, foram baseados nas enchentes até metade do século 20.

A construção, entretanto, tornou-se obsoleta em 1970, quando outra estrutura foi erguida: a barragem de Aswan High. Com a nova tecnologia, a relação entre o Nilo e a população que morava em suas margens sofreu uma mudança considerável.

Pela primeira vez em séculos, era o homem quem controlava as enchentes causadas pelo Nilo e, assim, os nilômetros não eram mais necessários. Com a barragem, as águas eram armazenadas em um reservatório, liberadas apenas quando necessário.


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Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/amp/noticias/almanaque/nilometro-invencao-egipcia-usada-para-prever-enchentes-e-determinar-impostos.phtml

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

ATUALIDADE: EGITO HOJE É O 2º MAIOR PAÍS DA ÁFRICA



Hoje o país se chama República Árabe do Egito. É o segundo mais populoso da África, com 80 milhões de habitantes. Alexandria ainda é uma cidade importante, mas a capital é Cairo – sua região metropolitana tem 16 milhões de habitantes, um trânsito infernal e problemas de infra-estrutura. A religião oficial é o islamismo. Segundo dados do governo, 90% dos egípcios são muçulmanos sunitas, menos de 1% são muçulmanos xiitas e 8% são cristãos.

Em 7 de setembro de 2005 foi rea-lizada a primeira eleição presidencial da história do país, na qual concorreram dez candidatos. Hosni Mubarak venceu com 88,6% dos votos. Os opositores reclamaram de fraudes descaradas. Mubarak está no governo desde 1981. As próximas eleições presidenciais estão marcadas para 2011.

Em seu contorno atual, o Egito faz fronteira com a Líbia a oeste, o Sudão a sul e Israel a nordeste. O país controla o estratégico canal do Suez, que liga o Mediterrâneo ao mar Vermelho. A economia é baseada nas reservas de ferro, petróleo e gás natural. A agricultura (cana-de-açúcar, trigo, milho, tomate, laranja e algodão) ocupa 40% da população e gera 20% do Produto Interno Bruto (PIB), de 200 bilhões de dólares.

Ao sangue dos egípcios antigos misturou-se o de árabes, gregos, romanos e turcos. Dos ancestrais, herdaram o prazer de pôr crianças no mundo. Por causa da alta taxa de natalidade, são obrigados a importar produtos dos Estados Unidos, Itália, Reino Unido e Alemanha. A expectativa de vida saltou para 68,8 anos (homens) e 73,9 anos (mulheres).

Eles nos deixaram uma rica herança

Além das grandiosas obras de engenharia e arquitetura, os antigos egípcios criaram o calendário, a pasta de dentes, a operação no cérebro e até palavras que usamos no BrasilApesar de todo o mistério que cerca grande parte dos feitos dos antigos egípcios, algumas realizações, descobertas e hábitos daquele povo estão hoje entre nós. Um dos mais manjados é o calendário. Eles já dividiam o dia em 24 horas e o ano em 365 dias e em 12 meses. As pirâmides foram incorporadas ao esoterismo e à arquitetura contemporânea. Estão presentes na entrada do Museu do Louvre, em Paris, e no hotel Luxor, em Las Vegas. O obelisco, que eles consideravam um raio de sol petrificado, enfeita praças de várias metrópoles do mundo – Buenos Aires, Washington, Paris (um autêntico obelisco do Egito antigo) e até São Paulo. Também eram feras em matemática, geometria, cosmetologia, perfumaria, farmacologia e medicina Já usavam pasta e escova de dentes. Teriam sido os primeiros a descobrir as propriedades dos triângulos. Conheciam o corpo humano como ninguém. Criaram técnicas e aparelhos cirúrgicos – faziam até operações no cérebro. Desenvolveram comprimidos, anticoncepcionais, testes de gravidez, supositórios, pomadas, gargarejos e banhos terapêuticos. Cometeram alguns erros, como achar que as mulheres podiam engravidar por via oral. Graças à religião, desenvolveram o conceito de conduta ética para garantir o direito a uma boa vida no além. A morte e ressurreição do deus Osíris lembra os relatos da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Sacerdotes egípcios praticavam a circuncisão e dedicavam alguns dias do ano ao jejum, elementos presentes no judaísmo e no islamismo. Palavras como alquimia, saco, química, papel e girafa têm origens na língua egípcia. 

A expressão “arranca-rabo” vem de Portugal, mas é baseada em um hábito egípcio. Eles cortavam o rabo do cavalo dos inimigos como troféu em caso de vitória. O papiro, lâmina porosa feita com a planta de mesmo nome, foi o precursor do papel que você tem nas mãos neste momento.

Serapis Bei

  Serápis Bei Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Serápis Bei , [ 1 ]   Ápis ,  Asar-Ápis  ou ainda  Osíris-Ápis [ 2 ]  era originalmen...