quarta-feira, 19 de abril de 2023

Conheça Ísis, a deusa egípcia do amor, da fertilidade e da magia

Ísis é uma das deusas mais importantes da mitologia egípcia! Também chamada de Sait, Ist, Iset, Aset ou Ueset, ficou famosa pela sua postura como esposa e mãe, sendo vista como deusa da fertilidade e da maternidade. Filha de Geb (deus da terra) e Nut (deusa do céu), esposa de Osíris e mãe de Hórus.

Sua adoração vai muito além do Egito, sendo conhecida em vários lugares do mundo greco-romano.

Representação de ísis num Templo de Hórus
Representação de Ísis num Templo de Hórus

Quem foi a deusa Ísis na mitologia egípcia?

significado do nome de Ísis é "ela do trono". Esse nome a representa bem, por ser vista com uma deusa fundamental para o poder faraó.

Ísis ganhou aos poucos popularidade, sendo vista como uma deusa importante para cultos de doentes e ritos de morte. Ficou conhecida como uma deusa mágica. Era colocada nos sarcófagos como forma de guiar os faraós na vida após a morte.

Vista como uma esposa fiel e perfeita, era muitas vezes comparada à deusa grega Hera.

Os primeiros textos sobre a deusa egípcia Ísis são da Quinta Dinastia (2500 a.C.), sendo relatada com seu filho Hórus pequeno.

O culto de Ísis durou até o século VI, quando foi proibido por governantes, por ser considerado algo contra a crença cristã. Apesar disso, a deusa Ísis é ainda hoje conhecida e adorada por pessoas do mundo todo.

Ficou famosa por todo o Egito, sendo criados templos em diversos locais, como: Behbeit el-Hagar, Dendera e Filas. Fora esses templos, também se encontram locais de culto da deusa da mitologia egípcia na Itália, como em Pompeia, e no norte da Grécia.

Templo em Filas
Templo em Filas

A deusa do amor do Egito

Uma deusa adorada por todos, considerada uma deusa amorosa, que protegia os oprimidos. Também por cuidar da vida do seu filho, é vista como uma mãe exemplar, sendo a defensora das crianças.

A deusa da magia do Egito

Era conhecida como uma deusa protetora dos mortos, capaz de zelar por qualquer um que necessitasse, fosse rei, fosse escravo. Sua magia influenciava no céu, na terra e no submundo! Relatos escritos contam que sua magia tinha poder de cura.

A magia de Ísis também tinha efeito na natureza, velando pelo reino natural.

A deusa da fertilidade do Egito

Do mesmo modo como era protetora, Isís, pelo empenho com Hórus, seu filho, era vista como uma deusa muito importante na maternidade e fertilidade. Venerada como uma representação da essência materna.

As características da deusa Ísis nas suas representações em imagens

Entenda algumas das formas com que a deusa Ísis é retratada na arte:

1. Uma mulher de longo vestido, com o sinal hieroglífico que significava um trono na cabeça.

2. Chorando a morte de Osíris enquanto amamenta Hórus.

ísis e Hórus
Uma das representações mais famosas: Ísis com Hórus no colo

3. Uma mulher com um disco solar entre chifres de vaca. Na imagem com Hórus, é possível observar essa representação na sua cabeça.

4. Como animais: uma vaca, um pássaro ou um escorpião.

O amuleto da deusa Ísis:

Tyet, também chamado de "nó de Ísis": é considerado um objeto funerário, sendo colocado em múmias e sepulturas, como forma de proteger o corpo para o além. Esse amuleto é feito na cor vermelha, representando estar ligado ao sangue de Ísis.

A lenda de Ísis e Osíris: uma relação de amor e retorno à vida

A relação da Ísis com a magia, o amor e a fertilidade tem o significado associado a esse mito de Ísis e Osíris.

Osíris era irmão e esposo da deusa Ísis. Pelo modo como se dava a relação dos dois, Ísis era vista como uma mulher extremamente fiel, sendo esta uma das suas principais características.

Após Osíris ser assassinado por Set - irmão de ambos -, sendo colocado num caixão, a deusa egípcia, disfarçada de mulher comum, buscou-o por todo o Nilo. Como conta um dos mitos mais posteriores, suas lágrimas deram origem às cheias do Nilo!

Por fim, Ísis encontrou cada pedaço do corpo de Osíris (exceto seu genital masculino) e o ajudou a retornar à vida, por meio de uma mágica, que fez o espírito do esposo entrar nela e dar origem ao filho dos dois, Hórus.

Set, Ísis e Hórus
Set, Ísis e Hórus

Então, Ísis e o deus da escrita Thoth fizeram o Ritual da Vida, para que Osíris permanecesse vivo após a morte, ainda que sem habitar o mundo dos vivos. Com isto, Ísis ficou conhecida como a defensora dos mortos. Até hoje, há, no Egito, uma celebração anual em homenagem à morte e ressurreição de Osíris, chamada "Noite da Lágrima", no Festival Junino de Lelat-al-Nuktah.

Em razão do modo como Set buscou assassinar Osíris, Hórus entrou numa batalha de anos contra Set, e Ísis dedicou-se a proteger seu filho. Tanto Set quanto Hórus disputavam o trono do Egito, sendo, por fim, Hórus sentenciado vencedor.

Esse mito relatado ganhou grande importância na história do Egito Antigo, sendo visto como uma comparação do bem e do mal (Osíris/Hórus e Set, respectivamente), assim como dos rituais de passagem após a morte, pela forma como Ísis honrou a vida de Osíris e lutou para ressuscitá-lo.


https://www.hipercultura.com/isis-deusa-egipcia-do-amor-da-fertilidade-e-da-magia/

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

25 CURIOSIDADES SOBRE O EGITO QUE VOCÊ PRECISA SABER

Curiosidades sobre o Egito? Sim, existem muitas! Principalmente por sua civilização ser muito antiga.

Histórias e lendas não faltam no país dos templos espetaculares e elas são realmente fascinantes, desde as pirâmides e faraós, até as mais atuais descobertas de tumbas e múmias com mais de 4.000 anos.

Por isso, pensando neste lado curioso do país, separei 25 curiosidades, para você saber mais sobre o Egito.

Camelo no deserto com pirâmides ao fundo
Camelo no deserto do Egito

Egito desde primórdios até os dias de hoje

Curiosidades sobre o Egito Antigo

1) Os faraós eram gordos

Mesmo que imagens do Egito Antigo mostrem que os faraós eram pessoas esbeltas, a realidade é diferente.

Os banquetes eram bastante fartos e a dieta era rica em mel, açúcar e pão, por isso, a grande maioria dos faraós eram gordos.

Líderes do Egito Antigo
Templo do Egito como líderes personificados como esbeltos

2) Trabalho pago pelas pirâmides

Embora muitos pensem que as pirâmides do Egito tenham sido construídas por escravos, na verdade, os trabalhadores eram pagos pelos faraós.

3) Domingo é um dia útil

O nosso domingo, por exemplo, é um dia útil para eles. Desta forma, é possível dizer que o fim de semana do país é a nossa sexta-feira e sábado.

4) Cerveja era moeda de troca no Egito

Os primeiros registros de cerveja no mundo têm 6 mil anos e são ligados aos Sumérios, povo mesopotâmico. Mas você sabia que esta bebida tinha um alto valor no Egito?

Muitos pensam que, na época dos faraós, o ouro era o que mais valia, mas a cerveja chegou a ser uma moeda corrente

5) Punição com morte caso matasse gatos

No Egito Antigo, os gatos eram bastante valorizados.

Quem matasse um desses felinos era punido com a morte e, em sinal de luto, os egípcios chegavam a depilar as sobrancelhas.

6) Os egípcios foram os primeiros a adotar o calendário com 365 dias

A contagem dos dias desta forma era feita para saber quando o Rio Nilo iria inundar.

Rio Nilo no Egito
O Rio Nilo teve grande influência na criação do calendário com 365 dias

7) Os egípcios criaram o barco a vela

Portugueses e Espanhóis são famosos mundialmente por terem desbravados os mares ao redor do mundo, mas o que muitos não sabem é que o barco a vela é uma criação do Egito, país que é conhecido por muitas invenções, como a pasta de dente e o calendário.

8) A longa existência do algodão

Os egípcios são bastante famosos pela qualidade do algodão local, pelos lençóis de muitos fios também, né?

Para quem não sabe também, há 5 mil anos, já existia vestido de algodão no Egito.

5) Punição com morte caso matasse gatos

No Egito Antigo, os gatos eram bastante valorizados.

Quem matasse um desses felinos era punido com a morte e, em sinal de luto, os egípcios chegavam a depilar as sobrancelhas.

6) Os egípcios foram os primeiros a adotar o calendário com 365 dias

A contagem dos dias desta forma era feita para saber quando o Rio Nilo iria inundar.

Rio Nilo no Egito
O Rio Nilo teve grande influência na criação do calendário com 365 dias

7) Os egípcios criaram o barco a vela

Portugueses e Espanhóis são famosos mundialmente por terem desbravados os mares ao redor do mundo, mas o que muitos não sabem é que o barco a vela é uma criação do Egito, país que é conhecido por muitas invenções, como a pasta de dente e o calendário.

8) A longa existência do algodão

Os egípcios são bastante famosos pela qualidade do algodão local, pelos lençóis de muitos fios também, né?

Para quem não sabe também, há 5 mil anos, já existia vestido de algodão no Egito.

Diz a lenda que na câmara mortuária tinha a frase: “A morte vai atacar com seu tridente aqueles que incomodarem o repouso do faraó”.

Mas, na verdade, os arqueólogos morreram em decorrência de um fungo que atacou os seus pulmões.

9) Até hoje encontram múmias

Até hoje são encontradas artefatos do Egito Antigo e múmias. Por todo o país, diversos arqueólogos fazem escavações.

Um dos lugares mais escavados é o Vale do Reis, em Luxor, onde, inclusive, foi encontrado o faraó Tutankamon.

10) O mistério da Maldição de Tutankamon

Por falar em Tutankamon, existe uma maldição que leva o seu nome e que foi usada para justificar a sequência de mortes dos arqueólogos que descobriram a sua tumba, em 1922.

O fato ocorreu pouco depois da revelação da câmara mortuária do jovem faraó.

11) Onde está a Cleópatra?

Apesar da grande quantidade de pessoas escavando o país, até agora, nenhum vestígio da famosa faraó Cleópatra, que comandou o Egito por 22 anos, foi encontrado.

Curiosidades do Egito de hoje

12) Andar de carro no Egito é uma aventura

É som de buzina para todo o lado, principalmente, na capital Cairo.

Chega a assustar quem não é de lá, mas os egípcios convivem muito bem sem este tipo de sinalização.

Trânsito de Cairo
Trânsito de Cairo

13) Cairo tem apenas 25 semáforos

Também, não é para menos. A região metropolitana do Cairo tem apenas 25 semáforos.

E olha que lá residem mais de 20 milhões de pessoas. Dá-lhe buzina!

14) Camelos e Uber no trânsito

Uma das curiosidades do Egito é que os camelos fazem parte do trânsito em vários lugares de Gizé e o Uber é uma das melhores opções de transporte para quem viaja de forma independente ao país.

15) Vendedores pra lá de insistentes

Ao caminhar pelo Cairo, por exemplo, você ficará com vontade de comprar perfumes, papiros e luminárias, mas aí vai uma dica!

Só pare em uma loja se você estiver realmente interessado em algo porque os vendedores são muito insistentes.

Loja de Luminárias no Egito
Loja de luminárias em Cairo

16) Negociar para pagar menos

Não aceite de primeira o valor proposto por qualquer objeto em lojas.

É preciso negociar bastante e este tipo de prática faz parte da cultura do país. Quando estive lá, comprei souvenirs por 1/3 do valor inicial.

17) Nada de demonstração de afeto em lugar público

Beijos entre casais e demonstração de afeto são proibidos em público, porém, é comum homens darem três beijos na bochecha, como uma forma de cumprimento.

Homens egípcios também costumam andar de mão dadas em algumas situações.

18) Programas de tv sem beijo

Programas de televisão e filmes produzidos no país não mostram imagens de beijos entre homens e mulheres.

Produções de outros países podem ter esse tipo de imagem, mas nada que possa ser considerado ofensivo no Egito.

19) O Egito é a Hollywood da África

Há um grande investimento em produções de filmes locais para egípcios e também para exportação. Não à toa, o Egito é considerado a Hollywood da África.

20) Beber não pode. Fumar sim.

Apesar das bebidas alcoólicas serem proibidas para os egípcios, a população do Egito fuma bastante cigarro e narguilé.

No país, apenas em raras ocasiões vemos turistas bebendo algo alcoólico.

21) Raio X em todos os lugares

Por medo de atentados terrorista, o país tem uma segurança bastante reforçada e não somente em pontos turísticos.

Um das curiosidades de Egito é que, por todo lado, há máquinas de raio X, inclusive para entrar em hotéis.

22) Há cristãos no Egito

Cerca de 85% da população do Egito é muçulmana. Os outros 15% são cristãos.

Mesquita de Muhammad Ali, no Cairo
Mesquita de Muhammad Ali, no Cairo

23) As 5 orações por dia

Como boa parte da população egípcia é muçulmana, eles respeitam bastante os costumes da religião.

Ao longo do dia, a população local costuma rezar 5 vezes por dia. A primeira antes do sol nascer e a última quando a noite cai.

24) Visitar o interior das Pirâmides de Gizé é para avançados

Visitar o interior das Pirâmides de Gizé não é para qualquer um, principalmente se você for claustrofóbico.

Logo ao entrar, já é possível sentir que não há muita circulação de ar e que faz bastante calor. Alguns turistas até saem chorando do passeio.

Entrada de uma das pirâmides de Gizé
Entrada de uma das pirâmides de Gizé

Muitos dos túneis são estreitos e, em algumas partes, é preciso fazer o trajeto agachado. Outra fato a ser falado é que não é possível voltar pelo mesmo caminho da entrada.

25) A troca de mulheres por camelos, ouro e frutas 

Não é mentira, os homens do Egito oferecem camelos por mulheres e isso acontece com as estrangeiras também.

Camelos do Egito
Camelos são oferecidos em troca de mulheres no Egito

Apesar de ser constrangedor quando acontece, isso faz parte da cultura local.

Antes de casar, há uma negociação e o homem precisa pagar um dote para a família da potencial esposa, além de comprar uma casa e mobiliar para a sua nova mulher.

No país também é permitido que um homem tenha quantas esposas ele desejar, porém, ele precisa oferecer o mesmo tratamento a todas.

Como já falamos antes, o país vive uma situação econômica muito difícil e este tipo de prática está se tornando algo cada vez mais raro

fonte: https://aresdomundo.com/curiosidades-sobre-o-egito/

sábado, 27 de junho de 2020

A superpotência africana que chegou a conquistar o Egito, mas foi esquecida pela história

Zeinab Badawi

Construção aksumitaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionReis aksumitas controlavam comércio no mar Vermelho

A grande pirâmide de Gizé, no Cairo, é considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Mas quem segue o curso do rio Nilo e viaja rumo ao sul, no território onde hoje é o Sudão, se depara com milhares de construções similares, que pertenceram ao reino de Kush (ou Cuche).

Kush foi uma superpotência africana e sua influência se estendeu até o atual Oriente Médio.

O reino existiu por centenas de anos e, no século 8º antes de Cristo, conquistou o Egito, também na África, governando-o por décadas.

E o que restou dessa civilização é impressionante.

Pirâmides no SudãoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionUnesco considera Jebel Barkal Patrimônio da Humanidade

Legado

Mais de 300 pirâmides continuam intactas, praticamente inalteradas desde que foram construídas, há cerca de 3 mil anos.

As mais suntuosas se encontram em Jebel Barkal, uma pequena montanha no Sudão do Norte que, junto com a cidade de Napata, são consideradas patrimônio da humanidade pela Unesco, o braço da ONU para educação, ciência e cultura.

No local, além das pirâmides, há tumbas, templos e câmaras funerárias completas, com pinturas e desenhos que a Unesco descreve como "obras-primas de um gênio criativo que mostram os valores artísticos, sociais, políticos e religiosos de uma comunidade de mais de 2 mil anos".

Pirâmides do Reino Kush, no SudãoDireito de imagemKUSH COMMUNICATIONS
Image captionMais de 300 pirâmides do reino Kush seguem praticamente intactas no Sudão

Os cuchitas eram africanos negros, em sua maioria agricultores, mas também artesãos e mercadores. Eles vendiam ouro, incenso, marfim, ébano, óleos, penas de avestruz e pele de leopardo.

Além de possuir minas de ouro e terras cultiváveis, o reino ocupava uma localização comercialmente estratégica, dado que de lá se transportavam mercadorias pelo rio Nilo e também por estradas que levavam ao mar Vermelho.

Suas riquezas chegaram a rivalizar com as dos faraós.

Mas até hoje o legado de Kush ainda não é amplamente conhecido, inclusive entre os africanos.

Pirâmides de MeroeDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAfricanos desconhecem sua história, dizem especialistas

História da África

Um projeto com objetivo de resgatar o passado do continente nasceu no início da década de 1960.

A África se tornava independente da Europa e, em meio à onda nacionalista, muitos de seus jovens líderes assumiram o compromisso de não só descolonizar seus países, mas também suas histórias.

Tampouco havia interesse de historiadores ocidentais. Por causa da falta de registros escritos, muitos deles simplesmente abandonaram a tarefa de revisitar o passado do continente.

Assim, a Unesco ajudou estudiosos africanos a criar o projeto, recrutando 350 especialistas de diferentes áreas e de toda a África.

O resultado foi uma coletânea de oito volumes que abrangem desde a pré-história até a era moderna.

O oitavo livro foi concluído na década de 1990 e o nono já começou a ser preparado.

Pinturas das pirâmides de Jebel BarkalDireito de imagemKUSH COMMUNICATIONS
Image captionNo interior dos restos arqueológicos de Jebel Barkal, há pinturas consideradas "obras-primas" pela Unesco

Polêmica

Houve polêmica, contudo, em torno da decisão da Unesco de começar a coletânea com um exemplar sobre as origens da humanidade, expondo a teoria da evolução.

O volume provocou a ira de comunidades cristãs e muçulmanas, dado que alguns países da África acreditavam no criacionismo, doutrina que defende que os seres vivos surgiram do criador e não são, portanto, fruto da evolução.

Cristão ortodoxo da EtiópiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMonarcas do Reino de Aksum (ou Axum) foram os primeiros a abraçar o cristianismo

O paleontólogo queniano Richard Leakey, que contribuiu para a elaboração do primeiro volume, diz acreditar que o fato de o ser humano ter vindo da África continue sendo algo digno de reprovação por alguns ocidentais, que preferem negar essa origem.

Apesar disso, continua pouco divulgada a história do reino de Kush, onde as rainhas podiam governar por direito próprio.

O mesmo ocorre com o reino de Aksum, descrito como uma das quatro grandes civilizações do mundo antigo.

Os reis aksumitas controlavam o comércio do mar Vermelho desde seu território, situado na região onde estão atualmente a Eritreia e a Etiópia.

Além disso, foram os primeiros governantes da África a abraçar o cristianismo e em convertê-lo em religião oficial do reino.

Sítio arqueológico de MeroeDireito de imagemAFP
Image captionSítio arqueológico de Meroe, a 300 km ao norte da capital do Sudão, Cartum

'Escuridão'

Para especialistas, por força da influência colonialista, essa história é pouco conhecida até entre acadêmicos e professores africanos.

Por causa dela, não tiveram acesso a um relato integral e cronológico de sua história.

Escola da ÁfricaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionUnesco espera que história da África seja ensinada nas escolas por especialistas locais

Hugh Trevor-Roper, um dos mais destacados historiadores britânicos de todos os tempos, diz: "Talvez no futuro será possível ensinar algo sobre a história da África. Mas até o momento não há nenhuma ou quase nenhuma: só existe a história dos europeus na África".

"O resto é escuridão, assim como ocorre com a história pré-europeia e a pré-colombiana na América. Uma escuridão que não é sujeito para a história", completou.

A declaração é de 1965, mas continua atual.


fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-40484880

AS PRÁTICAS MÉDICAS DO ANTIGO EGITO QUE SÃO USADAS ATÉ HOJE



Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption 

No Egito antigo, a medicina e a magia se misturavam em um conjunto de práticas

A medicina no Egito Antigo estava inevitavelmente misturada com a magia. Na época, não havia uma linha clara que demarcasse os limites entre a ciência e a religião.

Com frequência, acreditava-se que as doenças haviam sido enviadas pelos deuses como uma espécie de castigo ou que eram espíritos maus que estavam no corpo da pessoa e tinham de ser expulsos por meio de rituais, feitiços e amuletos.

Mas tudo isso era conjugado com uma medicina bastante prática - e alguns dos métodos utilizados na época sobreviveram ao passar do tempo.

Ainda que suspeite-se que muito conhecimento tenha se perdido com infortúnios como o desaparecimento da Biblioteca Real de Alexandria, sabe-se que a rica cultura egípcia, que floresceu por mais de 3 mil anos antes de Cristo, era muito avançada.

Ainda assim, não deixa de ser surpreendente o que sabiam no campo da Medicina, como por exemplo:

Cirurgia

Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption  

Mumificação permitiu aos egípcios antigos conhecerem a anatomia humana

Os egípcios antigos aprenderam muito sobre a anatomia humana graças à tradição de mumificação. Ao preparar os mortos para sua viagem rumo ao além, podiam analisar as partes do corpo e associá-las com as doenças que a pessoa havia contraído em vida.


Isso permitiu que entendessem o suficiente do assunto para fazer cirurgias, sinais das quais podem ser encontrados nas múmias, desde a perfuração de crânios até a remoção de tumores.


Tratamentos dentários

Direito de imagem  GETTY IMAGES  Image caption  

Hesire, um alto funcionário do rei Zoser, era o chefe de dentistas e médicos em 2700 a.C.

Por mais que se esforçassem em limpar e moer bem os grãos para fazer farinha, restavam pequenos pedaços de pedras na comida, assim como um pouco de areia do deserto. Isso desgastava os dentes e podia levar ao surgimento de buracos e infecções.

No Papiro Ebers, um dos tratados médicos mais antigos conhecidos, há várias receitas de preenchimentos e bálsamos. Uma delas descreve como tratar um "dente que coça até a abertura da pele": uma parte de cominho, outra de resina de incenso e uma de fruta.

Algumas receitas incluíam mel, que é antiséptico. Em outros casos, simplesmente tapavam os buracos com linho.
PrótesesDireito de imagem JON BODSWORTH Image caption 

Próteses eram úteis tanto para os vivos quanto para os mortos

Os egípcios antigos precisavam de próteses tanto para os vivos quanto para os mortos - e talvez fossem até mais importantes para os mortos. Acreditava-se que, para enviar o corpo para o além, este deveria estar inteiro, daí a importância da mumificação e de completar o que faltasse antes da viagem final.

Mas também serviam para as pessoas vivas. A prótese de dedo na foto acima foi usada por uma mulher e é a mais antiga conhecida.


Circuncisão

Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption

Aparentemente, a circuncisão era feita quando o medido entrava na idade do 'uso da razão' (entre 8 e 11 anos)

A circuncisão é praticada ao longo da história por várias sociedades por razões médicas e/ou religiosas. No Egito Antigo, era bastante comum, tanto que o pênis não circuncisado era visto como algo curioso.

Há escritos descrevendo a fascinação dos soldados egípcios com os pênis dos povos líbios que haviam conquistado. Eles contam, com frequência, que essas pessoas eram levadas para casa pelos egípcios para que seus conhecidos pudessem ver suas partes íntimas.

Sistema médico controlado pelo governo

Direito de imagem GETTY IMAGES Image caption 

Manuais médicos registravam doenças e tratamentos

O acesso ao cuidado médico era controlado de perto pelo governo no Egito Antigo. Havia institutos que treinavam os médicos, que eram educados segundo um currículo específico. Esses locais também recebiam pacientes e os tratavam.

Havia manuais médicos, como o já mencionado Papiro Ebers, no quais eram registrados doenças e tratamentos. Além disso, há descrições de acampamentos médicos instalados próximos de canteiros de obras para atender os operários que sofriam acidentes.

Ainda há indícios de que, se o acidente ocorria no trabalho e a pessoa não podia trabalhar por causa disso, o operário recebia um pagamento durante o período de enfermidade.

Serapis Bei

  Serápis Bei Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Serápis Bei , [ 1 ]   Ápis ,  Asar-Ápis  ou ainda  Osíris-Ápis [ 2 ]  era originalmen...